Um candidato que prestava a prova de legislação do Departamento Nacional de Trânsito (Detran) em Paracatu, no Noroeste de Minas, foi preso após ser flagrado tentando fraudar o exame. O homem de 53 anos estava com uma câmera presa ao corpo e um ponto eletrônico no ouvido para receber as respostas de outra pessoa.
O caso ocorreu no último dia 16 de maio e segue em investigação pela Polícia Civil.
Em nota, a corporação informou que ele foi detido pelo crime de “utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de avaliação ou exame público”, que prevê pena de um a quatro anos de prisão. Após prestar depoimento, ele foi liberado sob fiança.
Candidato gastou 10 minutos para fazer a prova
Conforme o boletim de ocorrência, um funcionário da Unidade de Atendimento Integrado (UAI) de Paracatu, onde a prova era aplicada, chamou os policiais depois de perceber o esquema.
Segundo ele, o candidato gastou apenas dez minutos para prestar a prova e acertou 25 das 30 questões, o que levantou suspeitas. Com isso, os aplicadores o abordaram e perceberam o equipamento.
Ao revistarem o rapaz, os policiais encontraram um celular preso com fita na barriga dele e uma fita no ouvido, onde estava preso o dispositivo de escuta. Além disso, na jaqueta dele, foram encontrados dois celulares.
Em depoimento à Polícia Civil, o homem, que é morador de João Pinheiro e trabalha erguendo cercas na zona rural, disse que a pauta dele para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do tipo B – que autoriza o condutor a dirigir carros – venceria em dezembro na autoescola.
Como estava com dificuldades para completar a prova, ele recebeu indicação de amigos para que procurasse a Autoescola Isaluma. Segundo ele, foi uma representante da autoescola quem indicou para ele o esquema de facilitação para que fosse aprovado.
Ele afirmou que pagou R$ 3 mil para receber as respostas pelo ponto eletrônico. Durante o exame, uma voz masculina dizia para ele a alternativa que deveria marcar.
O que diz a autoescola
Em nota enviada ao g1, o advogado que representa a Autoescola Isaluma, Fernando Amaral, afirmou que a empresa “não possui qualquer conduta que desabone sua idoneidade” junto ao Detran e que ninguém orienta práticas ilícitas no local. Além disso, segundo ele, a autoescola apenas fez o agendamento da prova para o candidato preso.
Veja a nota da autoescola na íntegra:
“A empresa Auto Escola Isaluma é uma empresa consolidada na cidade de João Pinheiro a 13 anos, devidamente credenciada junto ao DETRAN, não possuindo qualquer conduta que desabone a sua idoneidade junto ao órgão de trânsito, bem como junto a seus alunos, os quais, recebem aulas teóricas (legislação)e práticas (direção), para aprovação e obtenção da CNH. Que seus colaboradores e/ou Diretores são qualificados, e que em momento algum orientou ou orientao, nem mesmo, sugere a prática de coisas erradas ou ilícitas. Quanto ao fato noticiado, informa que apenas fez o agendamento da prova, nada mais que isso”.
Fonte: G1






































